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A nossa conferencista chama-se Catarina Gomes, tem 30 anos, trabalha
como jornalista no jornal Público, um jornal com expressão a nível nacional.
A sua área é a secção da saúde pública. Significa isto que escreve sobre
tudo o que tem a ver com esta temática. De momento, está a trabalhar num
artigo sobre a gripe das aves.
Iniciou a sua conferência com uma breve introdução à história da imprensa em
Portugal. Na altura da ditadura (até 1974), toda a imprensa era sujeita à
censura. Certas coisas não podiam ser ditas nos jornais. Explicou-nos também
como os jornais eram produzidos naquela época. Escrevia-se tudo a lápis,
depois da autorização pelo censor, o artigo podia ser passado a limpo.
Os
dias de Catarina são extensos: às vezes tem de trabalhar desde as onze e
meia da manhã até à meia-noite. Quem trabalha num jornal tem de estar sempre
alerta. Logo que um assunto ganha actualidade, os jornalistas têm de
escrever sobre ele. Têm de juntar informação sobre o assunto e investigar as
fontes. Em alguns casos, tudo isto pode demorar até duas semanas.
Muitas
vezes podem ser os jornalistas a escolher o tema do seu artigo. Apenas
quando se dá algo de extraordinário, como um terramoto, por exemplo,
acontece que o chefe de redacção encomenda um artigo sobre este
acontecimento. Nos jornais há sempre alguém que está de piquete durante a
noite. Se acontece alguma coisa no mundo, ele tem de ser o primeiro a saber.
Afinal, as notícias podem surgir em qualquer momento e em qualquer lugar.
Tudo
isto tem um enorme impacto na vida social dos jornalistas. Têm de ser
flexíveis, não podem simplesmente faltar uma semana. Catarina tem apenas
dois dias livres por mês.
Se
acontece alguma coisa de especial, vários repórteres deslocam-se ao lugar do
acontecimento. Fazem a investigação sobre o assunto, interrogam as pessoas e
depois preparam uma reportagem sobre o tema. Uma notícia costuma ser
divulgada primeiro na rádio, normalmente sem grandes pormenores. A seguir, a
notícia aparece na televisão, acrescentando este meio de comunicação a
imagem do acontecimento. O último é o jornal que explica os pormenores e
enquadra a notícia.
O
Público é escrito por cerca de cem jornalistas; outros tantos desenhadores
gráficos terminam os artigos.
Tudo
isto torna a vida de um jornalista interessante. Não é possível tédio,
está-se a par das coisas que acontecem no mundo e contacta-se com muita
gente. A vida de um / uma jornalista é ideal para quem gosta de enfrentar um
desafio! |